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Old 10-14-2005, 12:56 PM   #1
kimusubi0
 
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Tentar falar duma experiência

(Trata-se duma maneira de ver pessoal, e por isso, pode haver muitas pessoas que não percebem nada da confusão que vai na minha cabeçinha. No entanto, tenho uma pequena esperança que esta intervenção sirva a qualquer coisa.)
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Introdução
O Aikidô abraça princípios universais, que não são particulares ao Aikidô, podendo levar praticantes (munidos de bases sólidas), à escuta desta característica fundamental, a progredir com inspiração. Defendemos um ensino tradicional, aberto ao mundo e à nossa época, que tenta preservar o que deve ser preservado, sem dogmas espirituais, científicos ou outros, incluindo atitudes artificialmente rígidas, mas antes, movido por um conhecimento que se quer tendencialmente desinteressado.

Fundamentalmente, o Aikidô funciona como a arte, partindo do menos manifesto para o mais manifesto.
Na aprendizagem, em vez de se limitar a acumular muita informação, é preciso favorecer o estabelecimento da noção de percepção, de abertura, de disponibilidade, isto é, um saber com tendência a regenerar-se e a abrir horizontes. O corpo deve ser conjugado e integrado com a noção de conhecimento (um corpo que liberta; no imediato, não damos plenamente por este facto), e os movimentos deverão ser naturalmente relacionais e interiorizados. Deve evitar-se no corpo o efeito de "leitura", mas dar-se hipóteses para assimilar, compreender e interiorizar o que está a ser transmitido para tentar devolver a vida a um escrito, ou um gesto no nosso caso. A harmonia que os praticantes procuram no Aikidô é experimentada com actos sentidos interiormente (por dentro) e expressados eficazmente e naturalmente por fora. Como exemplo, sabemos que não podemos construir mecanicamente e do exterior (um exterior indeterminadamente absoluto) a harmonia, mas é a própria harmonia que edifica os gestos que a revelam como tal.
A execução de técnicas em forma de astúcia expedita (na maior parte das vezes, com estrutura binária: acção - reacção), que adoptam uma determinada estratégia para "resolver", fazem lembrar que a hipótese da falta de plena integração connosco mesmo, pode limitar a inteligência duma constante e saudável adaptação, tal e qual como é sugerido nalguns aspectos aleatórios da realidade. Em tom de brincadeira: não amamos a omoplata da nossa apaixonada, mas conhecemos a nossa apaixonada como "um ser vertical" onde as partes mental, físicas, e espiritual adquirem todo o seu sentido quando não estão artificialmente separadas por uma visão imediatista e empobrecida, e onde a singularidade das nossas preferências só vem confirmar (mas não explicar) os genes partilhados (entre outras coisas).
No corpo (em repouso ou em movimento), a noção de linguagem é potencialmente subjacente. Podemos no entanto, com determinados objectivos, "congelar" artificialmente, "coisificar", compartimentar, separar algo do seu meio natural para estudar alguns aspectos da realidade. No entanto, mesmo com precauções e metodologia adequada não se consegue impedir a fuga de factores fundamentais (que nem sempre são evidentes à primeira vista), importantes para este "ecossistema da escala humana" e que nos permite viver com qualidade, assim como também nos conhecermos (e reconhecermos) com uma certa profundidade.
Esta maneira integrada de aprender/conhecer e de fazer progressos "em espiral" implica, a prazo, tomadas de consciência sempre actualizadas que podem ajudar o nosso futuro, sem criar obstáculos fictícios ligados a "patamares de aprendizagem" mal concebidos.
Na aprendizagem do Aikidô o problema não é tanto saber o que se deve fazer, mas, com estudo, interiorização, desempenho e alguma sabedoria, saber o que se deve evitar fazer, para não destruir a sensibilidade e capacidades latentes (às vezes demonstradas) dos nossos alunos.
Aquilo a que chamamos usualmente cultura (ou a falta dela), cria mais seres esquizofrénicos e violentos, que indivíduos conscientes, capazes de agir naturalmente com o sentido da harmonia, da proporcionalidade e da oportunidade.
Relativamente à abordagem do corpo, o Aikidô e os seus agentes de ensino devem criar na prática um clima que desperte indirectamente a implicação dos indivíduos. A exigência que esta decisão comporta deve ser aclarada com a preocupação de conduzir este processo duma maneira cuidada, de acordo com o estado de cada um. "Esticar a corda", pode ser convertido numa intensidade justa, aplicada em variadíssimas áreas: esforço em vários domínios, concentração, percepção do espaço / tempo, ou ainda nas aplicações dos "alinhamentos", "ligações", da centragem e da intenção. A concordância do conjunto "alinhamentos, ligações, centragem e intenção", vai permitir um contacto mais íntimo consigo próprio, e favorecer o despoletar progressivo da interiorização e da capacidade de automatizar gestos ou "estruturas gestuais com características plásticas" pelo seu sentido ou significado, e pela exigência estrutural e global posto em jogo. Por exemplo, o aparecimento no mental de: "tenho sede" pode traduzir-se por: dirigir-se a cozinha, abrir o armário, e talvez ainda, evitar o pacote de cereais posto inadvertidamente a frente dos copos, pegar o copo sem o derrubar, deslocar-se perto da torneira, deixar o copo encher-se na quantidade certa, trazer o copo à boca, Tudo isso, feito a pensar no problema que temos de resolver com o nosso filho. O "movimento natural" é de facto um verdadeiro milagre de talento…
A um nível mais somático (ou "visto do exterior"), os alinhamentos vão permitir tomar consciência e limpar tensões desnecessárias, ajudando o indivíduo a colocar-se na acção com alguma firmeza e algum conforto.
Em várias circunstâncias (e com significados diversos), há músculos que se contraem como "por simpatia", por mimetismo, em relação a um músculo vizinho. Até pode parecer mesmo que uma zona do corpo é dotado de um só músculo! Na maior parte dos casos, porém, quando os próprios tomam consciência do sucedido, estas reacções nefastas e prolongadas não desaparecem tão facilmente, sendo necessárias intervenções apropriadas por parte dum professor competente e da colaboração estreita e permanente do aluno.
O reconhecimento da noção de verticalidade acordado com a relaxação do corpo vai permitir sentir o peso (o seu ajustamento) sobre os apoios, e assim poder, numa sensação de sentido inverso, encarregar-se, entre outras coisas, de ajustar subtilmente essa verticalidade. Este exercício deve ser utilizado para respeitar alguma "naturalidade" gestual, e, assim, numa escala mais cuidada, criar "movimentos mais densos".
Normalmente, o Aikidô costuma apresentar as técnicas, colocando em evidência aquilo que elas partilham. Ao demonstrar-se uma técnica, dá-se de forma variada a indicação da origem e do destino, e assim os principiantes conseguem com algum tempo e estratégia fazer subir a sensação dos apoios para o destino, passando pela "origem". Esta maneira de proceder vai permitir evidenciar (como já referido antes) os eixos céu - terra, direito - esquerdo, frente - trás.
Ao abordarmos procedimentos, as técnicas apresentam qualquer coisa de "memória estática". Por exemplo, beber um copo de água, respeita factores quase permanentes, como trazer o copo à boca (e não no olho [para falar de "conteúdo" e não o descritivo duma simples trajectória]), controlando o movimento do líquido. À volta de alguns factos que fazem sentido, o movimento adapta-se e regula-se. Quando tal não acontece, o agente de ensino, deve evitar corrigir por fora, mas tentar suscitar a correcção. Quando o corpo se torna um impeditivo, temos de relacionar estruturalmente a correcção para que ela seja entendida e apreendida em circunstâncias diversas.
Alguém que nunca cumprimentou outra pessoa, deveria ser iniciado com alguma delicadeza, de forma a afastar uma concretização gestual ponto por ponto, levando ao esquecimento da personalidade. Os procedimentos ou técnica podem resultar na aparência o que uma conduta revela. O importante é manter constantemente o que faz mover o gesto.
No Aikidô, tal como na vida, não existem, ou não é preciso construir encadeamentos para se viver. Podemos simplificar e dizer que, "somos encandeados" duma forma significativa a partir da personalidade que usualmente é atenta às circunstâncias exteriores e interiores. Por outro lado, quando o passado deixou marcas, o comportamento é inibido. O medo é igualmente um outro travão. A ignorância duma reacção ou dum procedimento pode também ser fatal.
As técnicas de aikidô devem ser aprendidas e apreendidas como um tema, e não como uma "técnica obrigatória". O que é obrigatório é respeitar a ligação, e é dentro duma frase gestual que respeita a ligação e centragem, que a tal técnica deverá ser colocada. Se o aluno não consegue colocar de imediato a técnica pedida, executa uma outra técnica mais adequada ao momento, não estando fora do tema, pois realizou o seu trabalho respeitando aquilo que é prioritário. E, repetindo, ele vai ser obrigado a ajustamentos constantes, para se aproximar do que é necessário realizar: a famosa técnica mostrada no inicio como modelo.
Cada técnica tem o seu leque de alinhamentos próprios. Eles devem ser abordados quando as pessoas estão colocadas em situações irregulares em relação a uma pseudo técnica padrão (para considerar alguns pontos de aprendizagem). Essas irregularidades devem ser controladas para que haja leitura e acompanhamento possível, sem esforço, e com controlo.
O reconhecimento da técnica numa fase mais aleatória (mais perto da realidade) pode ser comparado ao problema levantado pelo reconhecimento de maçãs de cor verde, amarela, ou vermelha, continuando, no entanto, ainda que com cores diferentes, a serem reconhecidas como maçãs.
Os alunos devem ser ensinados de forma a ver o que a grande maioria das pessoas não costuma ver. Estimular o corpo dos alunos, de forma a desencadear a noção de ligação, abordar a relaxação dirigida, dar explicações de focagem das energias num determinado assunto e reparar na prática dos alunos o registo in loco dos efeitos, são aspectos fundamentais a contemplar na aprendizagem.

Jean-Marc
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"Tu as le droit à l'action, mais seulement à l'action, et jamais à ces fruits; que les fruits de tes actions ne soient point ton mobile; et pourtant ne permets en toi aucun attachement à l'inaction. Bh G"
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Old 10-17-2005, 04:45 AM   #2
kimusubi0
 
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Re: Tentar falar duma experiência

A versão em cima esta cheia de erros, por isso voltei a ver a minha copia. É preciso dizer que o português não é a minha lingua materna...
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Uma perspectiva da aprendizagem do Aikidô
Jean-Marc Duclos
16/10/2005


Introdução
O Aikidô abraça princípios universais, que não são particulares ao Aikidô, podendo levar um praticante (munido de bases sólidas), à escuta desta característica fundamental, a progredir com inspiração.
Defendemos um ensino tradicional, aberto ao mundo e à nossa época, que tenta preservar aquilo que deve ser preservado, sem dogmas espirituais, científicos ou outros, incluindo atitudes artificialmente rígidas, mas antes movido por um conhecimento que se quer tendencialmente desinteressado.

Uma perspectiva da aprendizagem do Aikidô
Fundamentalmente, o Aikidô funciona como a arte, partindo do menos manifesto para o mais manifesto.
Na aprendizagem, em vez de se limitar a acumular muita informação, é útil de favorecer o estabelecimento da noção de percepção, de abertura, de disponibilidade, isto é, um saber com tendência a regenerar-se e a abrir horizontes. O corpo deve ser conjugado e integrado com a noção de conhecimento (um corpo que liberta -- no imediato é difícil dar conta plenamente deste facto), e com movimentos que deverão ser naturalmente relacionais e interiorizados. Devemos evitar um corpo refém do efeito de "leitura", mas dar hipóteses a uma compreensão, a uma assimilação, interiorizando aquilo que está a ser transmitido, para tentar devolver a vida a um escrito, ou a um gesto no nosso caso. A harmonia que os praticantes procuram no Aikidô é experimentada por actos sentidos do interior e expressados eficazmente e naturalmente por fora. Não podemos construir a harmonia do exterior (um exterior indefinidamente absoluto), mas é a própria harmonia que edifica gestos e que a revela como tal.
A execução da técnica em forma de astúcia (truque) expedita (na maior parte das vezes, com uma redução repetitiva a uma estrutura binária: acção - reacção), que adopta uma determinada estratégia para "resolver", faz lembrar que a hipótese da falta de plena integração connosco mesmo, pode limitar a inteligência duma constante e saudável adaptação, tal como é sugerido nalguns aspectos aleatórios da realidade.
Em tom de brincadeira: não amamos a omoplata da nossa apaixonada, mas conhecemos a nossa companheira como "um ser vertical" onde as partes, mental, física e espiritual adquirem todo o seu sentido quando não estão artificialmente separadas por uma visão imediatista e empobrecida, e onde a singularidade das nossas preferências só vem confirmar (mas não explicar) a nossa relação.
No corpo (em repouso ou em movimento) a noção de linguagem é no mínimo potencialmente subjacente. Podemos no entanto, com determinados objectivos, "congelar" artificialmente, compartimentar, separar algo do seu meio natural para estudar alguns aspectos da realidade. No entanto, mesmo com precauções e respeitando uma metodologia adequada, não conseguimos impedir a fuga de factores fundamentais (que nem sempre são evidentes à primeira vista), importantes para este "ecossistema à escala humana", e que parecem tomar conta duma certa poesia de vida, participando indirectamente na acção de se conhecer (e se reconhecer) com uma certa profundidade.
Esta maneira integrada de aprender/conhecer e de fazer progressos "em espiral" implica, a prazo, tomadas de consciência regularmente actualizadas que podem ajudar no futuro, sem criar obstáculos fictícios ligados a "patamares de aprendizagem" mal concebidos.
Na aprendizagem do Aikidô o problema não é tanto saber o que se deve fazer, mas com estudo, interiorização, desempenho e alguma sabedoria, saber o que se deve evitar fazer, para não destruir a sensibilidade e capacidades latentes (às vezes demonstradas) dos nossos alunos.
Às vezes, aquilo que chamamos pomposamente cultura (ou a constatação da sua ausência total) cria mais seres esquizofrénicos e violentos, que indivíduos autónomos, conscientes, capazes de agir naturalmente com o sentido da harmonia, da proporcionalidade e da oportunidade (não confundir com o defeito que representa a forma de ser oportunista). É quase escusado dizer que as qualidades encaradas pressupõem não estar sob o constrangimento dum discurso duma pseudo moral, duma filosofia barata, ou da obsessão do politicamente correcto.
Relativamente à abordagem do corpo, o Aikidô e o seu ensino devem criar uma prática com um clima que desperte indirectamente a implicação dos indivíduos. A exigência que esta decisão comporta deve ser aclarada com a preocupação de conduzir este processo duma maneira cuidada, de acordo com o nível de cada um. "Esticar a corda", pode ser convertido numa intensidade justa que funciona em variadíssimas áreas: esforço em vários domínios, concentração, percepção do espaço / tempo. A concordância do conjunto "alinhamentos, ligações, centragem e intenção", permite um contacto mais íntimo consigo próprio e aquilo que nos rodeia, e favorece o despoletar progressivo da interiorização. A capacidade de automatizar gestos ou estruturas gestuais com características plásticas deverá prioritariamente passar pelo seu sentido ou seu significado, respeitando naturalmente os constrangimentos estruturais postos em jogo. É por isso que no início, o trabalho da intenção ligado a técnicas e ataques é tão importante e representa um efeito diferido que inicia e mostra toda a sua utilidade a partir do momento que a técnica começa a ser substituída por ter cumprido o seu papel, em proveito da consciência ou das decisões que livram uma resposta motora ou outra.
Por exemplo, quando a sede se impõe na nossa consciência, interiorizamos "tenho sede", e esta constatação desencadeia, dirigir-se à cozinha, abrir o armário, e talvez ainda, evitar o pacote de cereais posto inadvertidamente à frente dos copos, pegar o copo sem o derrubar, deslocar-se perto da torneira, deixar o copo encher-se na quantidade certa, trazer o copo à boca, tudo isso, feito a pensar no problema que temos de resolver com o filho. O "movimento natural" é de facto um verdadeiro milagre de engenho e de talento…
A um nível mais somático (ou "visto do exterior"), a tomada de consciência dos alinhamentos vai permitir limpar tensões desnecessárias, ajudando o indivíduo a colocar-se na acção com firmeza e com maior conforto.
Em várias circunstâncias (e com significados diversos) há músculos que se contraem como "por simpatia", por mimetismo, em relação a um músculo vizinho. Até pode parecer que uma zona do corpo é dotada de um só músculo! Na maior parte dos casos, porém, mesmo que os próprios tomam consciência do sucedido, não podem corrigir no imediato estas reacções nefastas, elas não desaparecem tão facilmente, sendo necessárias intervenções apropriadas por parte dum professor competente e da colaboração estreita e permanente do aluno.
O reconhecimento da noção de verticalidade acordado com a relaxação do corpo vai permitir sentir o peso (o seu ajustamento) sobre os apoios, e assim poder, numa sensação de sentido inverso, encarregar-se, entre outras coisas, de ajustar subtilmente essa verticalidade. Este exercício é utilizado para respeitar uma certa naturalidade gestual, e numa escala de realização mais avançada, criar "movimentos mais densos".
Alguns agentes de ensino têm por hábito de apresentar as técnicas colocando em evidência aquilo que elas partilham.
Os apoios e a destinação duma técnica ou dum ataque, passando pela "origem" são indicadores que permitem aos praticantes de evidenciar a importância do trajecto, da localização do todo e das partes articuladas, dos apoios e da conjugação que fazemos com a sensação devolvida pelos eixos: céu/terra, direito/esquerdo, frente/trás.
Ao abordarmos procedimentos, as técnicas apresentam qualquer coisa de "memória estática". Por exemplo, beber um copo de água, respeita factores quase permanentes, como o facto de trazer sempre o copo à boca (e não no olho [para falar de "conteúdo" ou sentido da acção e não se limitar ao descritivo duma simples trajectória], controlando o movimento do líquido). À volta de alguns factos que fazem sentido, o movimento adapta-se e regula-se.
Quando o corpo parece tornar-se aparentemente um impeditivo, o agente de ensino deve evitar, quando for possível, o corrigir de fora. Uma correcção deve colocar o movimento numa relação estrutural, na tentativa de suscitar uma resposta que produza efeitos perceptíveis cujo sentido seja compreendido.
Se fosse possível encontrar alguém que nunca tivesse cumprimentado outra pessoa, o interessado deveria ser iniciado com alguma delicadeza, por forma a afastar uma concretização gestual ponto por ponto (como um robot) que não deixa espaço à individualidade ou à personalidade. Os procedimentos ou técnica podem ser o "resultado" aparente do que uma conduta revela. O importante é preservar a chama que faz mover o gesto.
Não é através de encadeamentos de técnicas coladas ponta a ponta que podemos construir artificialmente uma vida. Simplificando, podemos dizer que a nossa vida é um encadeamento natural. Até à nossa morte, as nossas acções são encandeadas (em sucessão) duma forma significativa, seguindo a personalidade de cada um, vulgarmente atenta às circunstâncias exteriores e interiores.
Por outro lado, quando o passado deixou marcas, o comportamento encontra-se às vezes incomodado ou inibido. O medo é igualmente um outro travão. A ignorância duma saudável reacção ou dum procedimento pode também ser fatal.
As técnicas de Aikidô devem ser aprendidas e apreendidas como um tema, e não como uma "técnica obrigatória". Cada técnica tem o seu leque de alinhamentos que a diferencia das outras. É procurando realizar aquilo que é dado como modelo, que um aluno desenvolverá mais facilmente a sensação concreta daquilo que ainda lhe escapa, e enfim, um dia, realizar aquilo que lhe foi pedido. Para um agente de ensino experimentado, é bastante fácil ver o aluno tentar libertar-se da situação onde ele se encontra, e seguir os seus progressos.
Na execução duma técnica ou dum ataque, existem algumas maneiras, consciente ou não, de a tornar instável, irregular. Para permitir a aprendizagem, temos que tomar consciência destas formas irregulares. Para os alunos mais graduados, a prática orienta-se mais no seu sentido (intenção limpa, sem interferências) do que na sua manifestação mecânica. Se estas formas irregulares são o resultado duma anomalia qualquer, ela deverá ser abordada e corrigida ao seu nível.
Ao tentar resolver um problema de matemática, se alguém altera o seu enunciado antes de ser finalizado, nunca será possível resolver ou ressentir aquilo que não funciona. Para os principiantes é preciso estabelecer uma ligação entre aquilo que é pedido e aquilo que se faz. Quando os princípios estão suficientemente assimilados (ligação), pode-se então alterar alguns elementos do enunciado, desde que no mesmo instante, ele consiga tomar conta do que foi modificado, rectificando, no mesmo instante, o que não está ajustado, sem perder a marcha do trabalho (na realidade, no tempo, não há regresso possível). Recordamos que este tipo de aprendizagem é realizado para se conhecer a si mesmo e não para alimentar o ego de qualquer um dos protagonistas.
Abordar a relaxação e a respiração é também muito importante para acalmar a agitação mental. Para aqueles que procuram praticar um Aikidô duma maneira integrada e tradicional, esta abordagem é indispensável.

Jean-Marc
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