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Old 02-27-2005, 04:26 AM   #1
kimusubi0
 
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Dojo: Estádio Universitário de Lisboa
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Será que fazemos de conta em Aikido?

Se atacamos em Aikido para atacar ou agredir o seu parceiro, a nossa ideia (para as pessoas normais) não é matar ou ferir o seu parceiro, particularmente se estamos completamente implicados na acção.

Por isso quando atacamos, este gesto não deveria ser algo pessoal. Um pouco como um actor de teatro que pode ser indiferentemente um "criminoso", "apaixonado", "psicótico", "atrasado mental", "um politicamente correcto", "um tipo bestial", etc.

Esta parecença deve ser perfeita, os espectadores devem esquecer que é um jogo, e é só "no fim" que podemos compreender em toda a sua extensão o sentido desta pratica particular e insubstituível (na sua globalidade e nos detalhes).

Fazer de conta, neste caso, deve ser totalmente convincente, sem por isso perder de vista que o "criminoso" não se confunde com a vida do actor ou com o actor ele próprio.
Mas é também verdade que alguns actores tem alguma dificuldade de "despir" o seu papel de actor quando volta para casa. Há indirectamente uns "resíduos" que incomodam.

O problema para o actor é quando o papel cola demasiadamente bem, quer dizer que quando fazemos o papel de agressor, tenho a aborrecida tendência a me identificar pessoalmente com o papel, o que provoca uma reacção de medo (para as pessoas normais).
Guardar o seu centro, desempenhar e interpretar o seu papel sem ter medo, não se despersonalizar, sem se tornar verdadeiramente um agressor.

Há também o problema contrário, quando o papel não cola ao actor. Então temos a infeliz ideia de ter recurso ao cliché, ou a "falsos parecidos" para evitar neste caso, de se confrontar com a noção de agressão que faz ofício de espelho da nosso própria agressividade. Tornamos incapaz de imitar a agressão, porque ela é demasiadamente parecida com a nossa maneira de estar. O medo é uma das razões principais desta situação.

Também, quando temos medo do outro, alguns tentam eliminar o seu medo, eliminando a testemunha que a suscita. Naturalmente o medo fica, crescendo cada vez mais, a medida que somos obstinados a evitar uma confrontação connosco mesmo.

Jean-Marc
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"Tu as le droit à l'action, mais seulement à l'action, et jamais à ces fruits; que les fruits de tes actions ne soient point ton mobile; et pourtant ne permets en toi aucun attachement à l'inaction. Bh G"
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